sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

White Dog: manifesto contra o racismo

Andava à procura deste filme há cerca de 10 anos. Lembro-me de quando o vi pela primeira e última vez, em finais dos anos de 1980. Não conhecia o seu nome, recordava-me apenas da sua história e do choque que me causou o seu visionamento. Recordo-me vagamente que nessa “fatídica” noite tive um sono intranquilo e que, durante algum tempo, olhei desconfiado para o chamado “melhor amigo do homem”. Afinal, este filme não é para ser visto por todos, muito menos por um rapaz de 12 anos que na altura não compreendeu o seu significado e/ou a sua mensagem.


White Dog (1982) é o seu título. Realizado por Samuel Fuller, esta obra-prima narra a história de uma actriz que adopta um pastor alemão branco, para depois descobrir que este foi treinado para matar pessoas com pele negra. Premissa simples, mas altamente controversa como podem imaginar…
Alvo de polémica logo aquando da sua saída, nunca chegou a estrear nas salas de cinema norte-americanas, aparecendo mais tarde reeditado como um thriller televisivo em que as vítimas dos ataques do canino pertenciam a todas as raças. Só em Dezembro de 2008, o filme foi finalmente lançado em DVD na sua versão original pela The Criterion Collection, editora especializada em lançar títulos de autor clássicos e contemporâneos.

Apesar do filme centrar-se inteiramente no racismo contra os negros (os tumultos raciais da década de 1960 nos Estados Unidos ainda estavam bem presentes no princípio dos anos de 1980), trata-se de uma película que fala sobre o racismo numa vertente muito mais ampla. O racismo como uma “doença social” que pode atingir qualquer um, independentemente da sua nacionalidade ou raça, fruto dos mecanismos associados ao preconceito e à discriminação. O pastor alemão, elemento inocente, surge como um símbolo dessa problemática da sociedade, como se se tratasse de uma criança que, desde muito cedo, assimila atitudes raciais. Por isso mesmo, White Dog é o único filme de Fuller onde um animal tem um papel significante. É também a primeira vez que simplifica o carácter das personagens da história com o objectivo de criar imagens de racismo mais fortes, sem nunca falar directamente acerca da sua realidade ou origem.

Refira-se que, nesta experiência cinematográfica a elevada reputação de Fuller acabou por funcionar contra si mesmo – esta foi mesmo a sua última longa-metragem realizada nos Estados Unidos – embora White Dog continue a ser um dos mais importantes e desafiantes filmes da sua prolífica carreira como realizador.

7 comentários:

looT disse...

Nunca tinha ouvido falar deste filme e já agora até acho que é a primeira vez que estou a olhar para um pastor alemão branco.

Além da temática racial parece ser um filme algo assustador, algo que eu também gosto.

Abraço

Su disse...

Também desconhecia, mas vou investigar. Dicas preciosas que apanho aqui, obrigada Filipe!

Airton disse...

eaee rapaa eu ia bota o batman com a possivel indicaçao do heath e acabei esquecendo hsuahsuahsu aii eu vo posta um sobre os filmes q podem levar atores coadjuvantes...eu tbm gostei do george clonney no queime dpois de ler.....''burn after readng''

Juliano Santana disse...

Invocado a primeira foto haha

Airton disse...

eaee caraa =...q coincidencia ontem eu vi um filme do samuel fuller nunk tinha visto nada dele...chama agonia e gloria com o lee martin....poww eh msm cara eskeci desse filme........qnd q começam a passar essas produçoes aee cara...pow aki vo te q baxa o milk e grand torino pela net......pq se naum num vo te como faze os meus proprios indicados.....to pensandu em faze isso dia 20 agora

ana s disse...

Olá Filipe!
É bom conhecer mais um blog de filmes.
Este filme não conhecia mas parece-me bem interessante. Realmente os animais só fazem o que são treinados para fazer.
Levo o teu link.
Beijos

Mauro disse...

Esse filme eu vi é sensacional!

Vale a pena alugar!!

Abc
Mauro