terça-feira, 30 de junho de 2009

Carreiras em declíncio: Jamie Foxx

Jamie Foxx ganhou um Óscar de melhor actor principal pela genuína interpretação em Ray (2004), depois do seu aclamado desempenho no filme anterior, Collateral (2004). A partir daí, apenas merece algum destaque a sua entrada no drama de guerra Jarhead (2005) onde contracena com Jake Gyllenhaal. A curva descendente da sua carreira surge em filmes como Stealth (2005); Miami Vice (2006), Dream Girls (2006) ou mesmo o mais recente The Kingdom (2007). Será que a oportunidade de ressurgimento poderá despertar com The Soloist (2009), realizado por Joe Wright (Atonement e Pride & Prejudice) e onde é companheiro do redescoberto Robert Downey Jr?

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Banda Sonora da Semana #10

video

A que filme pertence? Três pistas: filme de língua não inglesa; realização da primeira metade da primeira década deste século; duas nomeações para óscares, uma das quais venceu. Boa sorte!

VENCEDOR: Renata Correia Botelho

domingo, 28 de junho de 2009

Último filme visionado: The Fall

THE FALL (2006) de Tarsem Singh

Fotografia fantástica, é isto que The Fall tem para oferecer. Uma autêntica odisseia visual que transmite imagens de cerca de 20 países, fazendo esquecer o roteiro usado nos Indiana Jones e nos James Bond. Tratando-se de uma realização e produção de Tarsem Singh (The Cell), significaria que à partida esta palete de cores e locais, com o apoio de um simples argumento, seria capaz de preencher o filme. Infelizmente, não há aqui conteúdo capaz de acompanhar essa tal qualidade fotográfica: uma narrativa sofrível e monótona; interpretações medianas, para não dizer medíocres; cenas de acção amadoras e longas sequências emotivas que, por vezes, atingem o ridículo. The Fall transmite a relação simbiótica que existia entre a audiência e o narrador nos tempos do cinema mudo, todavia, todo o esplendor visual acaba por deixar o espectador um pouco de parte. Supostamente, todas as películas contam uma história, mas a massificação de imagens esplendorosas de The Fall oferece muito e, simultaneamente, não o suficiente.
(4/10)

sábado, 27 de junho de 2009

RIP king of pop

terça-feira, 23 de junho de 2009

Último filme visionado: 2010

2010 (1984) de Peter Hyams

2010 é a sequela do clássico 2001: A Space Odyssey de Stanley Kubrick, realizado pelo relativamente desconhecido Peter Hyams (Outland, The Relic e End Of Days). Tal como seria de esperar, este filme está a anos-luz da obra-prima de Kubrick, afirmando-se, de uma forma bem vincada, como uma película ao estilo dos anos de 1980. 2010 apresenta uma simplicidade desconcertante que destrói o sentimento de beleza e de antecipação transmitido no final do filme original. Apesar disso, mantém coerência na continuidade da história, ao mostrar muito pragmatismo na explicação das cenas mais estranhas e visionárias de 2001. Enquanto o primeiro filme permanece inviolável na sua mestria, 2010 oferece-nos técnica e diversão em detrimento de uma atmosfera sublime e enigmática. Seja como for, se for visto particularmente, não deixa de ser um bom momento de cinema.
(7,5/10)

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Parabéns Meryl!

Meryl Streep fez hoje 60 anos. Actualmente é uma das actrizes mais adoradas por todo o mundo. Os nossos parabéns a esta grande artista do cinema!

domingo, 21 de junho de 2009

Último filme visionado: Hunger

HUNGER (2008) de Steve McQueen

O debutante realizador Steve McQueen apresenta-nos a história verídica de Bobby Sands e um grupo de activistas do IRA que, enquanto reclusos de uma prisão no Norte da Irlanda, fizeram uma marcante greve de fome no início da década de 1980. Confesso que a palavra arrepiante é muito pequena e simplista para caracterizar toda a brutalidade trazida ao ecrã por este filme. É verdade que os acontecimentos são filmados de uma forma artisticamente cinematográfica, mas em vez da utilização das mais do que batidas e monótonas técnicas do realismo social, McQueen opta por gravar longas sequências de uma beleza primorosa, em contraste com cenas da mais pura violência e desumanidade. Por seu lado, Fassbender, na pele do famoso activista do IRA, oferece-nos um desempenho muito mais profundo do que o físico: um personagem ultra magnético e teimoso mas, acima de tudo, um apaixonado capaz de empregar o corpo (vida) como manifesto da sua causa. Em último recurso, considero esta película uma extensa exploração dos limites do corpo e da mente humana.
(8,5/10)

sábado, 20 de junho de 2009

Gafes do Cinema

Nesta sequência de Terminator 2: Judgement Day, após a entrada do T-1000 no helicóptero, provocando um buraco no vidro frontal, na cena seguinte o mesmo vidro já se encontra reparado...

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Boyle oferece apartamentos


Danny Boyle, realizador de "Quem Quer Ser Milionário?", o filme que há meses arrecadou 8 Oscars em Hollywood, vinha sendo criticado por deixar que os jovens actores do seu filme continuassem a viver na pobreza.
O cineasta acaba de desmentir os seus detractores, ao anunciar que comprou um apartamento para Azharuddin Ismail e que um outro estará em breve ao dispor de Rubina Ali. Ambas as crianças, de 9 anos, contribuíram decisivamente para o êxito do filme, que retrata a vida miserável nos subúrbios da cidade indiana de Bombaim.
As barracas em que Ismail e Rubina viviam com as respectivas famílias, nos subúrbios da grande capital, foram demolidas há poucas semanas pelas autoridades indianas, por serem construções ilegais. Fotografias dos dois meninos entre os escombros comoveram o realizador britânico, que decidiu empregar parte do dinheiro ganho com o filme em apartamentos para os pequenos desalojados.
"Inevitavelmente, o êxito do filme criou expectativas, que a Imprensa tratou de alimentar", disse ontem Danny Boyle, ao fazer a entrega do primeiro dos apartamentos aos pequenos. "Toda a gente estava à espera de que a vida destes jovens actores mudasse para um estilo opulento e glamoroso".
Em contrapartida, o realizador decidiu criar um Fundo de ajuda encarregado de garantir a habitação e a educação de Ismail e Rubina nos próximos 9 anos - até atingirem a maioridade. É com o dinheiro deste fundo que o realizador agora pôde oferecer morada condigna às mini-stars, que de outra forma veriam o dinheiro desaparecer entre os dedos dos familiares encarregados da sua educação.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Último filme visionado: The Conversation

THE CONVERSATION (1974) de Francis Ford Coppola

Rodado no mesmo ano de Godfather II, este é outro grande marco do cinema norte-americano dos anos de 1970 e um dos melhores e mais subvalorizados filmes do mestre Francis Ford Coppola. Um intenso e paranóico thriller sobre a exploração da privacidade, o poder das escutas e sobre a responsabilidade pessoal e social, numa época em que se assistia à problemática da intrusão tecnológica. Hal Lipset (que examinou as gravações do caso Watergate) fez parte da equipa de produção, trazendo um sentido acrescido de realismo que ainda hoje prevalece. Devo revelar que esta pequena, intimista e brilhante película acaba por constituir uma enorme surpresa na filmografia de Coppola, pois o argumento foi escrito vários anos antes do eclodir do famoso caso Watergate.
(9/10)

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Futebol no cinema: Portal Futebol

A partir de ontem, este vosso escriba começou a colaborar com o blogue Portal Futebol. O convite foi feito com o objectivo de publicar periodicamente artigos sobre o futebol no cinema, nomeadamente críticas de filmes directamente, ou transversalmente, associados ao desporto-rei. Os interessados por esta temática já poderão ter acesso a duas publicações efectuadas no dia 14 de Junho. Os meus agradecimentos à administração do Portal Futebol.

domingo, 14 de junho de 2009

Cuba Gooding Jr.: carreiras em declínio




Pretendo abrir com esta publicação uma rubrica dedicada a intérpretes que, apesar da sua inquestionável qualidade interpretativa, foram perdendo alguma visibilidade e o reconhecimento da indústria cinematográfica e das audiências nos últimos anos. As causas podem ser inúmeras: má escolha de papéis, interpretações medíocres, descrédito junto dos principais responsáveis pela execução de películas, ou até pura e simplesmente pouca sorte… Enfim, desejo abrir um espaço de debate com o objectivo de conhecer as opiniões dos meus leitores.

Cuba Gooding Jr. ganhou um Óscar de melhor actor secundário pela desconcertante interpretação em Jerry Maguire (1996). A partir dessa data, só merece destaque a sua entrada no drama biográfico Men Of Honor (2000) onde contracena com o veterano Robert De Niro e com a sempre sublime Charlize Teron. O fracasso apareceu com títulos sofríveis como Chill Factor (1999), Boat Trip (2002), Snow Dogs (2002), Radio (2003) e com o recente e mais do que desastroso Daddy Day Camp (2007). Será que a oportunidade de renascimento poderá surgir com Red tails (2009), escrito por George Lucas e onde será parceiro de Terrence Howard no elenco?

sábado, 13 de junho de 2009

Último filme visionado: Beneath The Planet Of The Apes

BENEATH THE PLANET OF THE APES (1970) de Ted Post

À primeira vista, uma sequela de Planet of the Apes (1968) pode parecer um desperdício de fita. O primeiro filme da saga tinha sido uma deliciosa mistura de ficção científica com uma forte componente de sátira social, pelo que o aparecimento de uma sequela seria perfeitamente dispensável. Como quase sempre, o peso do dinheiro terá sido um dos principais motivos para realizar Beneath the Planet of the Apes. Esta segunda película está longe de ser tão interessante como a primeira, em que o tema do confronto entre religião e ciência é substituído pelo conflito entre a ciência e a máquina de guerra dos gorilas. Apesar disso, não se pode considerar um mau filme pois apresenta uma ambiência mais tenebrosa, obscura e sombria. Teve, neste caso, a infelicidade de assumir-se como o seguimento de um clássico do cinema.
(6,5/10)

sexta-feira, 12 de junho de 2009

The Exorcist Head Knocker

Se a sua filha gosta de brincar com bonecas, esta é sem dúvida a oferta ideal!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Último filme visionado: The Reader

THE READER (2008) de Stephen Daldry

The Reader revela-nos algo de significantemente diferente de outros filmes sobre os horrores da II Guerra Mundial: um olhar não só sobre os Judeus, mas também sobre os próprios alemães como vítimas do Holocausto e a interpretação do Nazismo mais como um produto de explicável ignorância do que de inexplicável malvadez. Ao mesmo tempo, reina permanentemente uma sensação de ambiguidade que torna a fita um manifesto brutal e honesto sobre o significado do amor e as suas pressuposições. Trata-se, sem dúvida, de um imaculado e esplêndido drama com uma mensagem central sobre o perdão e, acima de tudo, a humanidade. O fantástico elenco acaba por ser também uma mais valia, nomeadamente Kate Winstlet com um desempenho perturbador e desconcertante. Óscar inteiramente justo.
(8,5/10)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

O poder da maquilhagem #2

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Último filme visionado: The Quick And The Dead

THE QUICK AND THE DEAD (1995) de Sam Raimi

Um western selvagem com laivos de comédia altamente grotesca e absurda, realizado pelas mãos do inconfundível Sam Raimi (Evil Dead e Spider-Man). Uma boa película de entretenimento, em que a personagem principal, ao contrário do habitual, é feminina. Sharon Stone é a estrela da companhia, uma pistoleira sexy que participa num desafio de duelos de pistola. Contudo, alguém se terá esquecido de transmitir à actriz que o objectivo aqui era acima de tudo divertir, sendo a sua interpretação séria e formal completamente contrária à dos restantes integrantes do elenco masculino. The Quick And The Dead é uma homenagem descarada ao spaghetti western de Sergio Leone, protagonizados normalmente por Clint Eastwood. No seu todo, o filme apresenta-se altamente interessante e divertido, no entanto, muito pouco convincente, talvez porque Sharon Stone também não é nenhum Charles Bronson. Uma palavra especial para Gene Hackman, ao fazer um papel muito semelhante àquele que interpretou no clássico e oscarizado Unforgiven.
(7/10)

Sondagem: Melhor James Bond

Caros leitores, abri a penúltima sondagem relativamente à famosa saga de James Bond. Conto novamente com a participação de todos. O último inquérito irá contemplar a competição dos vários vencedores ao longo dos últimos meses. Espero saber no final qual o melhor 007 de sempre, quer em termos de película, quer no que se refere ao actor principal. Muito obrigado!

domingo, 7 de junho de 2009

Synecdoche, New York: as primeiras críticas

Com uma carreira que principiou em inícios da década de 1990, o nome Philip Seymour Hoffman só despertou a minha atenção aquando da estreia de Capote (2005), filme que lhe garantiu a atribuição de um Óscar de melhor actor. Antes disso, este intérprete já tinha participado, embora num papel secundário, em películas tão aclamadas como Magnólia (1999), The Talented Mr. Ripley (1999), Red Dragon (2002) ou Cold Mountain (2003).
Na verdade, mesmo reconhecendo-se o extraordinário trabalho realizado como Truman Capote, confesso que não foi o suficiente para Hoffman fazer parte da minha restrita lista de actores de primeira linha do cinema actual. Passados quatro anos e depois do visionamento de filmes como The Savages (2007), Charlie Wilson’s War (2007), e principalmente Before The Devil Knows You’re Dead (2007) e Doubt (2008), aprendi rapidamente a idolatrar as transcendentes interpretações deste artista da sétima arte.
Hoje, sem margem para qualquer dúvida, Philip Seymour Hoffman assume-se não como um grande actor do nosso tempo, mas sim como “o” actor dos tempos actuais, alternando facilmente desempenhos em filmes de enorme visibilidade com películas de registo independente. É a sua qualidade e versatilidade que lhe garantirá, com toda a certeza, uma brilhante carreira futura e o estatuto de estrela do cinema a recordar pelas próximas gerações.
Dito isto, confesso as minhas elevadas expectativas no respeitante à estreia dos seus próximos filmes, Synecdoche, New York (2008) e The Boat That Rocked (2009). Até lá, deixo aqui a opinião da crítica americana especializada sobre a primeira dessas duas fitas. À primeira vista, parece-me que tem causado sentimentos de difícil assimilação:

“It is a sprawling, ambitious and very long look at so many things, it's almost a miracle he was able to wrap it up in just two hours. And yet, for a film that is principally about death, the conclusion is surprisingly life-affirming, especially coming from Kaufman.” By Mariko McDonald (Film Threat)

“Sprawling, awe-inspiring, heartbreaking, frustrating, hard-to-follow and achingly, achingly sad movie.” By Carina Chocano (Los Angeles Times)

“Like most of Kaufman's work as a writer, Synecdoche, New York is a head trip that time and again returns to a place of real human emotion--in this case, to the idea that no matter how brilliant we may be or think we are, we're all looking for a little guidance (or, yes, direction) in life.” By Scott Foundas (Village Voice)

“Will mesmerize some and mystify others, while many will be bored silly. It's not a dream, Kaufman says, but it has a dreamlike quality, and those won over by its otherworldly jigsaw puzzle of duplicated characters, multiple environments and shifting time frames will dissect it endlessly.” By Ray Bennett (The Hollywood Reporter)

“A wildly ambitious and gravely serious contemplation of life, love, art, human decay and death, the film bears Kaufman’s scripting fingerprints in its structural trickery and multiplane storytelling.” By Todd McCarthy (Variety)

“Hoffman, Morton and Jon Brion's aching score somehow capture the all-too-human need to get things right. If you're in a certain frame of mind, those moments make up for all the stagecraft.” By Joe Neumaier (New York Daily News)

Sítio Oficial: http://www.sonyclassics.com/synecdocheny/

terça-feira, 2 de junho de 2009

Ausência + 2 Críticas...

Novamente, por motivos profissionais, estarei ausente entre os dias 03 e 05 de Junho. De qualquer forma, coloco duas pequenas críticas de filmes vistos recentemente. Deixem as vossas opiniões. Bom cinema!

Último filme visionado: Chinatown

CHINATOWN (1974) de Roman Polanski

Considerado por muitos como o melhor guião alguma vez escrito, Chinatown é um excelente thriller noir à maneira clássica, salpicado de alguns ingredientes modernos e sofisticados. O melodramático twister final revela uma subtileza extraordinária através da utilização de uma conspiração puramente urbana. Apesar do filme noir estar associado a ambiências tradicionalmente escuras e sombrias, o realizador privilegiou uma filmagem em tons claros e solarengos. Chinatown é uma película que não cansa, desenvolvendo-se a cada novo visionamento e ao conter variadíssimos intervenientes, diferentes situações, planos fantásticos e uma qualidade superior que ainda hoje, passados vinte e cinco anos, ainda ecoa.
(8,5/10)

Último filme visionado: Taken

TAKEN (2008) de Pierre Morel

Este poderia ser o típico filme de acção minimalista que Steven Seagal costumava participar nos anos de 1980 e 1990: uma filha raptada obriga o seu pai (agente da CIA reformado) a espalhar pancadaria em “mauzões” estrangeiros. No entanto, existem vários aspectos que tornam esta película ligeiramente superior e interessante: a forte presença de Liam Neeson com a sua obsessão quase robótica e implacável para com todos as situação que vai encontrando pelo caminho; a visão dura e crua da realidade da prostituição através do tráfico humano; e a elevada intensidade frenética do enredo. Como dizia alguém: “um bom filme é aquele que mostra aquilo que prometeu”. Pode não ser um grande filme, mas pelo menos corresponde às expectativas.
(7/10)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Último filme visionado: In The Mood For Love

IN THE MOOD FOR LOVE (2000) de Wong Kar Wai

Elegante e profundamente sensual de uma forma deliciosamente restrita. Talvez, um dos filmes mais românticos que já vi, em que aquilo que não é dito tem mais importância do que aquilo que é verbalizado pelos protagonistas. Uma história de amor absorvida em melancolia e no desejo proibido. Mais uma obra-prima de Wong Kar-Wai, um poema sublime em estado fílmico (como cheguei a referir também na crítica ao Chungking Express), onde o realizador mostra um filme, melhor, um cinema capaz de exceder o seu próprio argumento ou história.
(9/10)