quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Strange Days Ending – FELIZ ANO NOVO!!!

Lembrei-me de colocar esta secção do final de Strange Days (1995). Apesar de esquecido e menosprezado, trata-se de um excelente thriller de ficção científica que conta com Ralph Fiennes e Juliette Lewis nos principais papéis. Só vos peço para fazerem de conta que a esta cena se passa na última noite de 2008. UM BOM 2009!!!

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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O ridículo do cinema norte-americano (Parte 2)

As coisas que não saberíamos se não existisse o cinema norte-americano:

- Quando um carro sofre um acidente pega fogo quase sempre;

- Todas as bombas estão equipadas com temporizadores e visores com contadores vermelhos de modo a que se saiba exactamente quando irão explodir;


- A tosse é normalmente o sinal de uma doença fatal;

- Os pilotos de helicópteros privados estão sempre prontos a aceitar dinheiro de terroristas, mesmo que o trabalho seja matar estranhos e termine na sua própria morte.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Drover: “Welcome to Australia!”

Fui ao cinema contemplar o Austrália! Melhor, Austrááááália!!! Melhor ainda, AustrÁÁÁÁÁÁlia!!! Este título deve ser pronunciado de uma forma pomposa, majestosa e muito prolongada. Trata-se de um ÉPICO de Guerra. Melhor, um grande Western. Melhor ainda, um filme de acção e aventuras. Mais, um melodrama familiar, uma comédia ligeira e um documentário sobre aborígenes. Não sei, cada um escolhe aquele que mais lhe satisfizer. Só não chamo animação porque não aparece o Papa-Léguas e o Coiote da Disney no meio do deserto, nem ficção científica, pois o feiticeiro que se esconde no alto do monte não possui uma nave espacial.

Na sala de cinema viu-se e ouviu-se de tudo. Desde as gargalhadas que esmagaram o meu tímpano direito, passando pelas lágrimas que escorreram pelo rosto da miúda na fila da frente, até aos “Buáááááás” do público devido aos feitos dos protagonistas.
Sem menosprezar o argumento, a fantástica fotografia (a real e a digitalizada), a excelente banda sonora e a interpretação do restante elenco, “gostei” principalmente do actor principal, o tal herói da fita. O seu olhar cerrado e atravessado, o vento a trespassar os seus fios de cabelo que compõem a franja (só nos diálogos mais profundos), as chamas e o fumo das explosões que iluminam os contornos do seu corpo másculo e viril, a barba por fazer e o suor a jorrar de cada poro da sua pele áspera.

Distribui pancadaria a quem lhe faz frente. Cowboy de profissão, sem competências no relacionamento interpessoal, pelos menos com pessoas, pois é exímio no tratamento de éguas inglesas e vacas australianas. Bebe rum como um cachorro, e só se lava quando calha, de preferência com uma esponjinha. Anda sempre de pernas escanchadas e braços afastados do corpo, dando a sensação de que tem uma tábua de madeira entre os membros inferiores e por baixo dos membros superiores. Também usa um chapéu e um chicote (onde é que eu já vi isto?). Beija muito bem, daqueles beijos bem demorados, debaixo de chuva intensa ou de céus nocturnos ultra-estrelados. Não sabe dançar, mas sabe dançar, pelo menos quando se digna a vestir fato branco e comparece, pela primeira vez na vida, num baile de alta sociedade… Belo HOMEM diziam algumas…

Não tenho dúvidas que, depois desta, Hugh Jackman será integrado no grupo de actores mais reconhecidos e bem pagos do mundo…

domingo, 28 de dezembro de 2008

The Fountain


Esta publicação serve apenas para não deixar passar incólume uma das mais valiosas obras do cinema contemporâneo. Uma verdadeira obra-prima, visualmente incrível, emocionalmente épica. Não apenas um filme, mas sim uma experiência de uma grandiosidade e de uma beleza profundamente espiritual e transcendentemente harmoniosa. The Fountain (2006), realizado pelo génio Darren Aronofsky, retrata uma história de amor em três dimensões espaciais e temporais distintas, ou seja, no passado (América do Sul), no presente (Nova York) e no futuro (Espaço). Um conquistador, um investigador e um aventureiro que lutam desesperadamente para salvar a amada da morte. A sua obsessão é a Árvore da Vida. Para o primeiro um lenda, para o segundo uma hipótese de salvação e para o terceiro, a solução.

Cada um dos três ambientes foi minuciosamente construido, e Aronofsky consegue interligá-los sem arruinar a sua especificidade. Estes três planos de existência estão unidos por um amor comum, Isabel. Porém, o amor aqui é algo muito mais abrangente. É ele o motor da vida. Preservá-lo é alcançar a perpetuidade. E perante o carácter finito da existência, questionamo-nos: será que a morte é parte integrante da vida ou é uma doença, como outra qualquer, para a qual ainda não encontrámos a cura? The Fountain debruça-se sobre todos estes elementos sempre muito dúbios, como a transcendência, a ideia do sentido da vida, a imortalidade da alma, o amor como veículo de ciclos e a aceitação da perda. Por isso mesmo, nada nos prepara para o impacto que absorvemos com este filme.

Hugh Jackman e Rachel Weisz têm aqui interpretações perturbantes, de uma credibilidade e de um fascínio que nos fazem sofrer enquanto observadores privilegiados de uma luta pela conquista de um amor infinito, de um amor maior que a existência física. É a fusão daqueles dois seres que, de forma tão intensa no plano terreno, provoca o seu desenvolvimento afectivo no plano espiritual. Todos os aspectos esotéricos desta película são grandiosamente dissecados, fazendo-nos crer na possibilidade do encontro absoluto com a verdade e com o achado totalitário da existência do ser.
Darren Aronofsky criou uma das mais ricas obras do cinema, em que os efeitos especiais são também um instrumento sempre superiormente utilizado, assim como a fantástica banda sonora de Clint Mansell que muito contribui para o crescendo final simultaneamente sereno, inquietante e absolutamente estrondoso.

Resta dizer que, The Fountain, é perfeito. Uma das criações artísticas mais importantes e maravilhosas de sempre. Trata-se de uma experiência verdadeiramente estimulante e hipnotizante, repleta de criatividade e originalidade, que vai muito além da beleza das imagens, das interpretações e do argumento: atinge a nossa índole, a nossa alma, tal é a monumentalidade e a obscuridade do desfecho da sua criação.
É certamente um dos meus preferidos filmes de sempre, daqueles que veneramos instintivamente. Daqueles filmes que nos fazem questionar o sentido da vida…
9,5/10

sábado, 27 de dezembro de 2008

O poster de hoje

Apesar de terem perdido alguma importância na última década, devido essencialmente ao aparecimento da internet, ninguém pode negar que os posters foram evoluindo positivamente ao longo da história do cinema. Tal como nas próprias películas, a criatividade tem, obrigatoriamente, um lugar privilegiado na construção de qualquer poster, por isso, este continua a desempenhar um papel fundamental na divulgação e na transmissão da “alma” do filme. Resolvi, deste modo, trazer aqui uma tela acabadinha de imprimir, saída da máquina promocional de Hollywood. Não sendo, de forma nenhuma, um filme que mereça algum destaque, fiquei impressionado com a sofisticação da imagem que consegue transmitir.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O cinema de Hollywood (Parte 1)

Estava a organizar os ficheiros e pastas do meu computador quando encontrei um documento bastante interessante e hilariante. Não sei qual foi o seu autor, todavia, penso que ele não levará a mal se compartilhar estas informações convosco… Talvez, alguns de vós, até já conheçam estas máximas do cinema de Hollywood.

As coisas que não saberíamos se não existisse o cinema norte-americano:

- Em qualquer investigação policial é sempre necessário visitar um clube de Strip-tease.

- Todas as camas têm lençóis especiais, em forma de L, de forma a taparem as mulheres até aos ombros e os homens até à cintura.

- O sistema de ventilação de qualquer edifício é o local ideal para alguém se esconder. Ninguém se lembra de lá procurar e pode-se alcançar facilmente qualquer parte do edifício.

- Um homem não mostra dor quando é ferozmente espancado, mas queixa-se quando uma mulher lhe tenta limpar as feridas.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

O Pai Natal não existe…

Manhã. Por volta das sete horas. Dia 25 de Dezembro. Desço as escadas de peúgas para não fazer barulho. Olho de relance para a sala de estar. Algo está diferente. Junto à Árvore de Natal estão prendas de todas as cores, tamanhos e feitios. Sento-me e observo minuciosamente cada presente. Qual será o meu? Tenho de esperar para saber… Pelos menos mais duas horas, enquanto os meus pais não acordam… Afinal, o Pai Natal não se esqueceu de mim!
Quantos de nós choraram ao saber da inexistência do Pai Natal. Aquela sensação de vazio e de engano. Muitos passam pela negação, mas até os miúdos de personalidade forte acabam por vacilar perante essa tremenda notícia. Perde-se a magia, perde-se o encanto, perde-se a infância…
Todos nós vivemos essa experiência, até mesmo os mais duros ícones de acção da história de cinema. O problema é quando estes se apercebem disso muito mais tarde nas suas vidas. E nessa altura a reacção pode ser desastrosa… John J. RAMBO, conhecido veterano da Guerra do Vietname, só soube que o Pai Natal não existia através do seu mentor, o Coronel Samuel, na cena final de First Blood (1982). Ora vejam o que aconteceu…


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Este vídeo rodou na internet no ano passado, sendo editado pelo conhecido comediante português Nilton.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Pay It Foward

Após dois dias de silêncio, aqui regressamos nós com a contribuição de uma colaboradora. Tive a oportunidade de visionar este filme aquando da sua estreia e fiquei bastante comovido pela história. Tenho mesmo de o rever.


A época de Natal reveste-se sempre de um clima de solidariedade, bondade, caridade, amor e perdão. Todos nós somos contagiados por este espírito que despoleta atitudes que estão mais evidentes nesta altura. E é sob a influência deste espírito que recordo um filme que me marcou de uma forma especial: Pay It Forward (2000), de Mimi Leder.


Este filme, baseado no romance do mesmo nome de Catherine Ryan Hyde, tem uma história dramática e comovente à qual ninguém fica indiferente. Se for daquelas pessoas que se emociona facilmente, então prepare-se. Se não se emociona facilmente, prepare-se na mesma...
Com um excelente elenco (os galardoados Kevin Spacey e Helen Hunt e a brilhante interpretação de Haley Joel Osment), o filme coloca-nos um desafio: se pudesse mudar o mundo, o que faria? Na verdade ficamos com a sensação de que tudo é possível e com vontade de começar logo a colocar as ideias em prática.
Se ainda não viu o filme, fica aqui a sugestão para as férias, feriados e tolerâncias próprios desta época.


Sítio Oficial: http://www.payitfoward.com/

Raquel Roque
Dezembro 2008

domingo, 21 de dezembro de 2008

Gafes do Cinema


Vais disparar, vais...

sábado, 20 de dezembro de 2008

White Hunter Black Heart


Apesar de ser um grande apreciador de Clint Eastwood enquanto realizador / actor, devo dizer que não conhecia o seu filme White Hunter Black Heart de 1990. Aconselhado por um amigo, tive a oportunidade de vê-lo muito recentemente. E não é que este génio da realização voltou a surpreender-me! Neste filme, temos de admirar verdadeiramente Eastwood por se colocar na pele de um dos mais famosos realizadores de Hollywood nos anos de 1950, John Huston (The Treasure Of The Sierra Madre (1948); The Maltese Falcon (1941); The African Queen (1951)). Na realidade, a película é distanciadamente baseada nas circunstâncias que envolveram a filmagem do último filme acima referido, apesar de não ter nada a ver com a sua feitura. Trata-se de um conto sobre a obsessão, o orgulho e o egoísmo, tudo isto oferecido de uma forma refinada e polida, quase majestosa, em que a fotografia tem um papel fundamental. O ritmo é intenso e excitante, atravessado sistematicamente por passagens descontraídas e vagarosas, mas sem nunca tombar na insipidez.



Não tenho dúvidas que este é um dos melhores exercícios de Eastwood na realização, no entanto chamo especial atenção para a sua interpretação, excelentemente efectiva e robusta, que retrata um cineasta egocêntrico, altamente decisivo e independente, papel este muito incomum na sua carreira como actor. O personagem principal mantém sempre, ao longo da fita, uma postura carismática, fascinante e cripticamente free spirit. Em relação à história, não existe nada de complexo, todavia, existem muitos pontos de interesse, especialmente a ironia oculta da parte final.
Não querendo desvendar muito mais, agradeço-te Álvaro, por me dares a conhecer esta sedutora e cativante aventura cinematográfica.
7,5/10

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Copy + Copy = Paste (Parte 2)

Como respeito muito os meus leitores e tenho sempre em conta as suas solicitações, fiz o sacrifício de trazer novamente à baila a questão das semelhanças entre os filmes 28 Days Later, Mad Max (II e III) e Doomsday. Se têm boa memória (11 de Dezembro), certamente recordam-se que lancei um desabafo no final da publicação em causa, a propósito das bandas sonoras…Asneira minha… A pedido de muitas famílias e principalmente da Renata Correia Botelho, aqui apresento a prova de que não estava a brincar!!! Atentem à melodia do tema de 28 Days Later entre os 2:15 e os 3:30. Logo a seguir, oiçam a música de Doomday entre os 2:50 e os 3:20. Será que estou a imaginar coisas?! É terrível demais para ser verdade…
P.S. - Este post vem substiutir a habitual rubrica da Banda Sonora da Semana.

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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Sondagem #1



Como já repararam, parece que já temos um vencedor da primeira sondagem realizada neste blogue. Os resultados foram totalmente esclarecedores quanto à preferência dos leitores. O desempenho de Heath Ledger esmagou por completo a interpretação de Jack Nicholson, recolhendo 100% dos votos. Como já referi anteriormente, as abordagens são totalmente divergentes, no entanto, também eu vou ao encontro da opinião dos votantes: o Joker de The Dark Khight é, a todos os níveis, desconcertante e aterrador. Espero que a Academia tenha, no mínimo, o “bom senso” de nomear Heath Ledger para melhor actor secundário. Já agora, e aproveitando a oportunidade, deixo aqui um trailer sobre o verdadeiro combate entre os dois Jokers. Uma delicia para os apreciadores!

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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A favor de M. Night Shyamalan


À semelhança da minha amiga Renata Botelho, a minha querida esposa Raquel Roque, também ela uma grande apreciadora de cinema, resolveu fazer parte dos colaboradores que, frequentemente (espero eu), irão deixar aqui algumas considerações cinéfilas. Com esta nova “bengala”, antevejo uma maior diversificação do conteúdo do blogue e, consequentemente, o aumento do debate no futuro.
Para a sua primeira publicação, a Raquel optou por fazer um apanhado do trabalho realizado pelo controverso e frequentemente questionável Shyamalan. Devo confessar que aprecio imenso as obras deste realizador, apesar das desilusões que, no meu parecer, foram os seus dois últimos filmes. Sem mais palavras, deixo aqui o texto enviado:


Há pouco tempo dei conta de que já vi quase todos os filmes de Manoj Nelliyattu Shyamalan, desde o fabuloso The Sixth Sense (1999). Mais ainda, faço sempre questão de estar mais ou menos atenta ao próximo filme que este indiano realiza e escreve. E foi então que me apercebi que este facto é estranho: a apreciação cinéfila não tem sido muito generosa com Shyamalan e muita gente viu no filme Lady In The Water (2006) uma resposta a algumas dessas críticas. Também não sou, nem nunca fui, uma grande admiradora de temas como os abordados nos seus filmes... Mas a verdade é que devo dizer que aprecio quase todas as películas de M. Night Shyamalan.
Não considero Shyamalan nenhum génio, mas não posso negar que tem sido um realizador original e astuto. Parece não estar preocupado em agradar a indústria americana, ao realizar e escrever filmes difíceis de enquadrar em categorias pré-definidas. Demonstra, ainda, ter uma certa independência na produção dos filmes.
Quem não se recorda do The Sixth Sense (1999), um filme que, assim que termina, apetece logo rever? Nomeado para seis óscares, incluíndo melhor realizador e melhor argumento original, foi com esta obra que o realizador saiu do anonimato (Praying With Anger (1992) e Wide Awake (1995) são desconhecidos do grande público).
Segue-se em 2000 Unbreakable, o único filme que ainda não vi. Nesta película, o realizador aborda outro tema pelo qual afirma ser um apaixonado: a banda desenhada. Embora com um final mais sereno do que o do sucesso de 1999, este trabalho parece ter, igualmente, um incrível desfecho. Com Signs (2002), o indiano consegue criar no espectador uma tensão durante todo o filme e nem precisa de mostrar os ET’s para criar, em nós, o medo do desconhecido.


Em 2004, Shyamalan presenteia-nos com aquele que encaro ser o seu segundo melhor filme: The Village. Esta história tem igualmente um final absolutamente inesperado e que nenhum espectador conseguiria adivinhar. Não me deixo influenciar pelas críticas negativas: é uma obra magnífica na fotografia, no ambiente criado, nas interpretações (Joaquin Phoenix volta a estar muito bem e Bryce Dallas Howard foi uma surpresa encantadora) e na sonoridade utilizada. A propósito, sabiam que James Newton Howard foi nomeado para um óscar pela banda sonora deste filme?


Em 2006 reconheço que Shyamalan escreveu e realizou o único filme que me desiludiu profundamente, Lady in the Water. Aliás, o indiano foi mesmo considerado o pior realizador daquele ano! Esperava muito mais e não consigo perceber o porquê de Shyamalan confessar em entrevistas que este seria o primeiro filme que salvaria se a sua casa se incendiasse … Más interpretações (onde está a Bryce Dallas Howard de 2004?), um argumento original mas mal adaptado ao grande ecrã.
Com a estreia de
The Happening (2008), Shyamalan prova, na minha humilde opinião, que a sua carreira não está a descambar, como nos fazem crer as críticas. É certo que este trabalho não tem a qualidade dos filmes anteriores a 2006, mas não concordo com tudo o que se tem dito acerca do mesmo. O realizador tem sido gozado pelo argumento, acusado de querer imitar Hitchcock, até se fala em eco-thriller (abordagem ecológica). Tirando as péssimas interpretações, como a do Mark Wahlberg, o filme consegue gerar calafrios, sem cenas de violência gratuita, aliás uma característica muito própria de Shyamalan. A tensão do filme é óptima e as cenas dos suicídios estão muito originais (não posso deixar de referir o pormenor das cenas iniciais, quando os corpos caem sem qualquer movimento. Fantástico!).
Após esta reflexão, concluo que Shyamalan tem conseguido captar o meu interesse pelo facto de nos proporcionar sempre alguma surpresa. Mesmo quando não utiliza os twisting end’s, os argumentos não deixam de ser originais. Aprecio a sua coragem de não se preocupar em fazer filmes que agradem ao mercado, e tenho gostado, a nível geral, do seu trabalho: não me preocupa perceber quais as suas intenções ou as suas motivações, mas apenas desfrutar da obra.

Raquel Roque
Dezembro 2008

domingo, 14 de dezembro de 2008

A insensibilidade emocional de Kubrick…

Quem me conhece pessoalmente sabe que um dos meus realizadores predilectos é, sem dúvida, Stanley Kubrick. Ainda no outro dia revi o magnífico Eyes Wide Shut, o último filme deste realizador de “todos os tempos”. Por acaso, possuo a edição especial em dois discos, recentemente lançada em Portugal. É evidente que, depois de visionar a película, não consegui suportar a tentação de analisar o disco dos extras. Para além dos habituais documentários e trailers, houve algo que me chamou a atenção: um excerto de uma entrevista a Steven Spielberg, em que este fala sobre a maior crítica que é apontada a Kubrick: a frieza emocional presente nos seus filmes… Fiquei chocado! A frieza emocional dos seus filmes?! Esta é demais! Tal como disse, e muito bem, Spielberg, Kubrik foi capaz de criar uma das cenas mais emocionais da história do cinema, referindo-se concretamente à cena final de Paths Of Glory de 1957. Infelizmente, tratava-se dos poucos filmes ainda não vistos por mim do realizador em questão, mas não preciso de enumerar a quantidade de momentos verdadeiramente emocionais que trespassam a sua pequena filmografia. No entanto, por aquela cena ter sido concretamente mencionada, fiquei extremamente curioso para ver, o quanto antes, a película em causa. E não perdi muito tempo…

Devo afirmar que a fita superou todas as minhas expectativas (trata-se de uma obra-prima), mas não pretendo, neste momento, fazer nenhuma análise do filme, mas simplesmente focar-me nos seus últimos cinco minutos. Não sou de chorar ao ver cinema, no entanto, confesso que os meus olhos chegaram a iniciar todo o processo inerente à formação daquilo que se costuma a denominar por lágrima… Sem querer esmiuçar a cena, por respeito àqueles que ainda não a viram, posso-vos adiantar que é verdadeiramente impressionante!


Quando a jovem alemã começa a cantar, jorrando lágrimas do rosto, no meio do barulho ensurdecedor dos assobios dos soldados, é nessa altura que também estes se apercebem de como foram forçados a fazerem coisas inimagináveis perante enorme perigo e pressão, levando-os gradualmente ao silêncio na sala: a solidariedade, a identificação, e até o reconhecimento de que, independentemente das nossas diferenças, existe sempre algo que nos liga como seres humanos… Sem dúvida, Kubrick no seu melhor. Cena clássica!

sábado, 13 de dezembro de 2008

A história do Cinema

Acham que é impossível retratar toda a história do cinema num único poster? Se sim, então é melhor pensarem duas vezes… Encontrei esta pequena pérola perdida no “submundo” da Internet.

(favor clicar na imagem para ampliar)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Copy + Copy = Paste

Quando soube que o grande Neil Marshall estaria a realizar um novo filme – Doomsday (2008), foi com enorme expectativa que aguardei a sua estreia. Afinal estamos a falar, em termos de realização, de uma das novas esperanças do cinema mundial do submundo do horror. Apesar de só muito recentemente ter atingido alguma fama, através da longa-metragem Dog Soldiers (2002) e, acima de tudo, através do The Descent (2005), o facto é que, com este último título, o inglês alcançou a proeza de dirigir uma das melhores películas de terror da última década. Esqueçam a febre dos remakes de filmes japoneses; as intermináveis sequelas de Saw; os “filminhos” sobre a perseguição de serial killers a um grupo de adolescentes e o frenesim das películas com vampiros e zombies. The Descent – A Descida é um filme espectacularmente claustrofóbico e alucinante, com pouca luz e mosqueado de humor negro, misturando a escuridão com alguns pavores psicopatológicos triviais. Tudo elaborado de uma forma simples, directa e chocante.
Ou seja, a fasquia estava elevadíssima para a terceira aventura cinematográfica deste realizador. Devo dizer que me desiludi profundamente… Doomsday é dos filmes menos originais e frustrantes dos últimos tempos… E não afirmo isto de ânimo leve, pretendo apresentar aqui provas concretas! Começo por decifrar o título desta publicação: Mad Max + 28 Days Later = Doomsday. É exactamente isto, sem tirar nem pôr… Bom, talvez tirando a qualidade dos dois primeiros filmes mencionados. Mas vamos às demonstrações:

1) A semelhança exagerada dos posters com tons avermelhados.



2) O combate contra um gigante com máscara de ferro.



3) A grande perseguição com automóveis modificados.






4) O radicalismo visual dos perseguidores.






5) O rapidíssimo veículo automóvel preto do protagonista.



6) O vilão do filme anda com um homem atrelado.




E não bastando estas terríveis analogias, devo acrescentar que, tanto o Doomsday como o 28 Days Later, se passam numa Grã-Bretanha propositadamente isolada do mundo (Escócia e Londres, respectivamente); decorrem no futuro; começam devido ao alastramento de um vírus; e os seres humanos infectados gostam especialmente de comer carne humana (rebeldes e zombies, respectivamente).

Não serão coincidências a mais, ou estarei a exagerar? Neil Marshall, esperávamos muito mais!

Já agora, não me peçam para falar das bandas sonoras...
3,5/10

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Banda Sonora da Semana # 2

Este tema musical é construído com base num padrão oriental, mas é apresentado através de instrumentos ocidentais. Apesar da sua simplicidade, é esta música e incontáveis variações da mesma, que suporta todos os encargos musicais do filme. Composta por Kyle Eastwood, esta magnífica banda sonora revela-se sombria, dramática, honrosa e dissonante. A que filme pertence?

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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Appassionata


Quando equacionei criar este blogue, foi com o pressuposto que colocaria publicações de outras pessoas que se identificassem com a filosofia deste espaço. Consegui realizar este objectivo mais cedo do que imaginara. Renata Correia Botelho, colega e amiga, um dos tesouros mais bem guardados da poesia nacional, aceitou o meu desafio e enviou-me a sua opinião sobre o filme Das Leben der Anderen, estreando, deste modo, a rubrica de críticas deste sitio electrónico. Trata-se, sem dúvida, de uma das películas mais penosas e fascinantes acerca do fantasma dos regimes despóticos. O melhor é dar a palavra à autora deste poético e penetrante texto:

Eu vira o filme dois dias antes, num teatro vazio e escuro que me lembra sempre uma igreja abandonada de Tonino Guerra. Entro e procuro, todas as vezes, a cerejeira a erguer-se do chão e a tocar o céu com os ramos. Naquele dia, saí com uma impressão de fenda, um vago horror misturado com a violenta poesia do filme, como se qualquer coisa em mim se tivesse quebrado e eu não fosse capaz de reconstituir, de me tornar inteira de novo.

As Vidas dos Outros – Das Leben der Anderen no seu título original, uma estreia brilhante do realizador Florian Henckel von Donnersmarck em 2006 – começa em 1984, num país calado e triste, dividido pelo muro de Berlim, e vai até 1991, à actual Alemanha unificada. Conta-nos a história silenciosa que se desenvolve, a princípio unilateralmente, depois em fusão absoluta, entre um oficial da Stasi, o capitão Gerd Wiesler (num magistral desempenho de Ulrich Mühe), e o escritor George Dreyman (Sebastian Koch), cuja vida Wiesler tem por missão espionar. É a história de um capitão impiedoso e austero que lia Brecht – “acima de nós, no lindo céu de verão, uma nuvem abriu o meu olhar. Era muito branca e estava muito alta e quando eu olhei de novo… já lá não estava” – e vivia a liberdade, o sonho e o desejo dos outros pelos auscultadores da Stasi, que adormecia ao som do amor que nunca lhe pertencia e se comovia profundamente com a Appassionata de Beethoven (nome por que é conhecida a sua Sonata nº 23 para piano), tocada pelo escritor que vigiava.



Muito mais do que um filme político, este é um filme sobre a arte, o amor e a redenção. Sobre um homem bom. Sobre o seu olhar solitário e terrivelmente belo, que nos faz perceber que são quase sempre as coisas mais simples que nos salvam.

Eu vira o filme dois dias antes quando, numa manhã de Julho, a rádio trouxe até ao meu quarto a notícia da sua morte. Ulrich Mühe morria aos 54 anos, depois de uma vida passada entre a construção civil, os palcos de Berlim e o cinema. Morria dois dias depois de eu me ter apaixonado pelo seu rosto. Como a nuvem branca e muito alta de Brecht, que desaparece no instante único em que a não captamos.

O filme foi muito justamente premiado com o Óscar de 2007 para melhor filme estrangeiro. Saiu em DVD recentemente, comprei-o e vi-o hoje pela segunda vez. Terei de o rever pela vida fora, para ir transformando os seus silêncios em silêncios ainda maiores.

E foi hoje então que tudo se ligou, como aquele insecto misterioso que em criança vi refazer-se da pancada letal e regressar ao voo, e percebi finalmente o puzzle, e fiquei de novo tranquila: o desaparecimento de Ulrich Mühe e daquele seu rosto antigo e subterrâneo, estas primeiras manhãs escuras de Outono, o sol a pôr-se cada dia mais cedo, sob o olhar resignado das gaivotas, a minha avó a ajeitar as flores nas jarras de domingo, a planta que morreu com ela e as saudades dos seus dedos térreos e serenos sobre a pressa inquieta das minhas mãos. E as palavras de Jorge Luis Borges, que vivem comigo como o latejar implacável de um relógio: “uma coisa, ou um número infinito de coisas, morre em cada agonia (…). Que morrerá comigo quando eu morrer, que forma patética ou inconsistente perderá o mundo?”.

Renata Correia Botelho
Outubro 2007

Texto publicado originalmente no Suplemento Cultural do Açoriano Oriental, sob a coordenação de Mariana Matos, a 30 de Outubro de 2007.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Changeling: as primeiras críticas


É sempre motivo de exaltação quando estamos perante um novo filme de Clint Eastwood. Não é para menos… Nos últimos anos, temos assistido a um turbilhão de filmes, de extrema qualidade, realizado por este veterano e mestre do cinema. Por isso mesmo, e tendo em conta a estreia de “Changeling” (A Troca) nos Estados Unidos, no passado dia 31 de Outubro, resolvi fazer um pequeno levantamento de algumas críticas feitas naquele país. Aparentemente, o filme tem sido visto como uma pequena desilusão, mas, sejamos francos, independentemente de qualquer opinião, um filme menos bom de Clint Eastwood é sempre um grande filme. Só nos resta aguardar pela estreia em Portugal para confirmar estes comentários:

“Clint Eastwood's Changeling falls into a common trap: by trying to do too much, it accomplishes too little.” By James Berardinelli (Reelviews);

“At a hulking 141-minute runtime, Changeling suffers from more than its fair share of showy moments.” By Chris Cabin (Reel.com);

“Changeling is especially disappointing because its basic story might have summoned forth another of Mr. Eastwood’s dark, masterly investigations of the implacability of evil and the difficulty of justice.” By A. O. Scott (New York Times);

“Like most movies today, Changeling is much too long and winds up feeling bloated too early.” By Maggie Glass (Critic’s Notebook);

“While the movie’s best stretches serve as further proof of Eastwood’s mastery, Changeling is also ungainly and unsatisfying at times.” By Jason Anderson (Eyeweekly);

"Changeling doesn't suck. Not at all. It's just not a brilliant film. It's a good film that tries like heck to be brilliant but falls incredibly short.” by Richard Propes (The Independent Critic).

sábado, 6 de dezembro de 2008

A minha estreia numa sala de cinema



Ainda recordo a primeira vez que fui ao cinema. Foi em 1987, por volta do Natal, tinha 9 anos (tão inocente…). Na altura, os “adultos” diziam-me que a idade mínima para assistir a um filme no cinema era os 12 anos, nunca percebi porquê… Falavam-me que na sala de projecção havia uma televisão gigante com botões enormes, para ligar e desligar o aparelho (também tinha sabido há pouco tempo que Lisboa não ficava no céu e que afinal os aviões aterravam e que os barcos não voavam). Nessa época respirava-se ainda o sucesso da série animada do He-Man (1983 a 1985): tinha recebido como oferta de aniversário o último boneco do super-herói e já coleccionava algumas revistas sobre os “Mestres do Universo”, enfim, não sabia que vivia neste mundo… Por isso mesmo, quando soube que iria estrear a transposição da série para a grande tela, e ainda por cima, com actores de carne e osso, não descansei enquanto não conseguisse ver o filme na grande tela.
Nesse dia negro e chuvoso, os meus pais deixaram-me à porta do saudoso e nostálgico Cine Vitória em Ponta Delgada. Fiquei na segunda fila do Balcão, no lado esquerdo para quem está de frente para a tela. A sala estava praticamente vazia. Como já devem ter percebido, fiquei desde logo abismado por não visualizar nenhum botão de ligar e desligar.
Devo confessar que adorei o filme: ver o He-Man “verdadeiro”, perante os meus olhos, com a sua espada mágica, ver o Skeletor em osso e osso, assistir aos grandes combates e tiros lazer. Filme inesquecível! Até sonhei com ele à noite.


2008. Fevereiro. Princípios do mês. Com 29 anos (tão inocente…). Depois de estar numa sala de cinema umas 600 vezes (número atirado ao ar). Num dia negro e chuvoso, no meu sótão gelado, coloquei o DVD “Masters Of The Universe” no leitor. Como já devem ter percebido, o ecrã é muito mais pequeno, mas ao menos tem botões de ligar e desligar. Grande ansiedade, depois de 21 anos sem rever o filme…
Devo confessar que detestei o filme: ver o He-Man “verdadeiro”, perante os meus olhos, com a sua espada mágica, ver o Skeletor em osso e osso, assistir aos grandes combates e tiros lazer. Filme para esquecer e apagar para sempre da memória! Até sonhei com ele à noite, infelizmente…
Na realidade, não consigo perceber o que ia na cabeça da equipa que dirigiu este filme… Até algumas crianças a brincar eram capazes de criar uma melhor história, melhores caracterizações dos personagens e melhores efeitos especiais. Filme estúpido e aborrecido, recheado de cenas lamechas, com diálogos infantis e péssimas interpretações. Skeletor, interpretado por Frank Langella, mais parece o falecido actor Jack Palance com lepra. Dolph Lundgren, o tal russo que distribui pancada em “Rocky IV”, apresenta um dos desempenhos mais ridículos da história do cinema. Só visto, não há palavras para descrever tamanha calamidade…
Como quase sempre, a banda sonora acaba por ser o único ponto positivo desta película (onde é que já li isto?), apesar de ser uma autêntica cópia do tema principal de “Superman” de 1978.
Um conselho vos dou: fujam deste filme, como o diabo da cruz! E por aqui fico…
(favor clicar no título para ver o trailer).

Já agora, por acaso recordam-se da vossa primeira ida ao cinema?

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Magic Trick



Encontrei este pequeno tesouro na internet! Penso que está extremamente criativo! Dedico este Post a quem viu o filme "The Dark Knight" e, mais especificamente, a cena em questão. Já estou a ver várias t-shirts com esta imagem...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Banda Sonora da Semana # 1

A verdade nua e crua: o filme foi uma enorme desilusão! No entanto, confesso que este tema musical é dos melhores que já ouvi: majestoso, emocional e, porque não dizê-lo, glorioso! Fechem os olhos, desliguem a luz, aumentem o volume e podem ter a certeza que irão voar para outra dimensão. Foi composto pelo incontornável Hans Zimmer. Tentem adivinhar a que filme pertence. A amostra de foto do vídeo serve de pista. Boa pesquisa!

video

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Marion Ravenwood: será a mesma pessoa?!


Não. É esta a minha resposta se me perguntarem se gostei tanto do último Indiana Jones como dos anteriores três filmes. E não, não tem somente a ver com as algumas cenas verdadeiramente inconcebíveis no enquadramento da saga: o roedores do início do filme, a perseguição à “tarzan”, a queda do jipe no cimo da árvore, o casamento no final do filme, etc. Não vale a pena enumerar mais… O que mais intrigou e até causou algum desgosto, foi a maneira superficial e leviana como trataram algumas personagens, referindo-me especialmente ao da Marion Ravenwood. Realmente, não consigo explicar a completa alteração da sua personalidade. Onde está aquela mulher aguerrida, valente, audaciosa e destemida?! Transformou-se numa senhora melosa, branda, tenra e até untuosa. Será que tem a ver com a idade da personagem, seguindo indicações específicas para actuar como tal, ou, atrevo-me a dizer, tem a ver com a idade da actriz e alguma falta de trabalho realizado pela própria? Para mim é um autêntico mistério… O que eu sei é que estragou por completo a imagem que dela tinha aquando da excelente primeira película.