terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Benjamin Button: da velhice à juventude

Bem sei que este filme tem sido dissecado e analisado até ao ínfimo pormenor. A crítica é unânime ao reconhecer a sua qualidade cinematográfica, tanto ao nível da realização, das interpretações e da fotografia, como também, e principalmente, ao nível do argumento e da excelente caracterização dos personagens principais.
Todavia, tenho notado que aqueles poucos que revelam possuir um juízo “menos” positivo acerca da fita, assentam a sua ideia na discrepância bem patente entre o ritmo da história durante a velhice e durante a juventude de Benjamin Button. Por isso mesmo, costumo ouvir frequentemente que “a segunda parte do filme é muito melhor do que a primeira”. Devo dizer que, apesar de aceitar essa ideia, não posso concordar com ela.

Do meu ponto de vista, as mudanças de ritmo foram propositadamente introduzidas pelo realizador com o intuito de melhor espelhar as várias etapas da idade do protagonista. Ou seja, ao falar universalmente da vida, é natural que na velhice tudo aconteça de uma forma compassada, introspectiva e vagarosa, assim como também faz sentido que a juventude se desenrole de uma forma activa, rápida e até vigorosa.
Nestes pormenores revelam-se os grandes filmes…

15 comentários:

close-up disse...

ora aí está. Muitissimo bem observado.

bom, e alem do mais, penso que, genericamente, é mais interessante ir ao pormenor na idade avançada do que propriamente na juventude...existem mais pormenores, mais dificuldades que tornam a abordagem mais especial e cativante..

eu cá não mudava nada relacionado com isso, pois como bem referiste, assim se fazem os grandes filmes ;)

O Cara da Locadora disse...

Concordo plenamente que seja proposital... Aliás, deixou o filme muito mais fácil de ser visto, não? Abraços...

Anónimo disse...

A estranha crónica crítica de Benjamin Button para leres aqui se tiveres paciência :

http://ilhas.blogspot.com/search?q=Vida+ao+contr%C3%A1rio

Parabéns pelo blog
JNAS

Álvaro Martins disse...

Ora bem...gostei do filme, está muito bem conseguido a quase todos os níveis, mas não acho que seja um grande filme. É um bom filme, não "grande". Só um exemplo, na filmografia do Fincher, se este é um "grande" filme, o que será o Fight Club, o Seven e o The Game.

Abraços

Raquel Roque disse...

Concordo que é um bom filme. No entanto, penso que não é apenas o facto de percebermos as intenções dos realizadores e até respeitarmos as suas opções, que nos leva a apreciar as películas. Dou um exemplo: não gostei mesmo nada do último James Bond- Quantum of Solace, mas percebi a intenção do realizador, principalmente depois de ter visto uma entrevista com o mesmo num programa da Sic Notícias. A propósito, Filipe, porque não editas um post sobre este último James Bond que também foi alvo de controvérsia pela crítica?

Ricardo Vieira disse...

É, de facto, uma grande obra! Em termos de realização, de mestre e em termos interpretativos brutal.

looT disse...

Também não achei que fosse um problema na estruturação narrativa.
É um belo filme, disso não há dúvida, mas como disse na altura para mim faltou-lhe um pouco mais de alma para o tornar mais memorável.

Abraço

Blog Curtas disse...

Assisti ao filme ontem e adorei!
Fiquei muito impressionada com a maquiagem dos personagens e, engraçado não achei a segunda parte do filme melhor não, achei aliás o ritmo muito bom. Quase três horas de filme que passam e a gente nem percebe.

Beijos

Filipe Machado disse...

Close-up,
Devo dizer que gostei principalmente da primera parte do filme, o que vem na sequência daquilo que mencionaste. Abraço.

O Cara da Locadora,
Se o filme fosse rodado sempre ao mesmo ritmo, realmente não transmitiria a mesma magia. Abraço.

JNAS,
Obrigado pela visita e pelo elogio. Amanhã espero estar presente no LER CINEMA. Entretanto, vou dar uma olhadela à crítica de Benjamin Button no Ilhas. Deixarei certamente um comentário. Abraço.

Álvaro Martins,
Respondendo à tua pergunta: a filmografia de David Fincher é totalmente recheada de "grandes" filmes, tal como este :) Talvez o The Panic Room seja o mais fraquito... Abraço.

Raquel,
Concordo contigo. Todos os filmes tocam-nos de maneiras diferentes e por razões diferentes. É esta a magia do cinema. É um sentimento que não é explicável por palavras. Todavia, é sempre bom termos um génio atrás das cameras que dê importância a estes pormenores.
Obrigado pela dica, tenho algo planeado no futuro para os filmes de James Bond interpretados por Daniel Craig. Bjs.

Ricardo Vieira,
Sem dúvida nenhuma! Abraço.

loot,
Lembro-me perfeitamente de ler a tua crítica na altura. Depois do que disse acima e como deves compreender, concordo parcialmente com ela :) Já agora, aproveito a oportunidade para divulgar a tua opinião sobre o filme (http://alternative-prison.blogspot.com/2009/01/curious-case-of-benjamin-button.html). Abraço.

Blog Curtas,
A excelente caracterização dos personagens é, sem dúvida, uma das "pérolas" do filme. Bjs!

Fifeco disse...

Ora bem, por acaso não tinha pensado nessa perspectiva. Ainda assim e concedendo a tua razão, reconheço que gostei infinitamente mais da segunda metade. independentemente desse facto adorei o filme e é o meu favorito para a noite de Domingo.

Abraço

Filipe Machado disse...

Fifeco,
O melhor é deixarmos de distinguir a primeira da segunda parte. O problema fica assim resolvido :) Abraço!

Ursdens disse...

Também gostei mais da segunda parte do filme, embora a ideia que transmites, conceptualmente, tenha a sua razão de ser...

Mas depois há outras coisas:
Aquele cheiro a Titanic (na narradora e naquela sequência em que se procuravam corpos no mar) é um bocado nauseabundo.

Gostei especialmente da sequência de fotografias no coreto e das imagens na Índia.

Cumprimentos cinéfilos!

Peter Gunn disse...

Depois de tudo o que aqui já foi dito já não há duvidas possiveis, o filme é excelente num todo! E acredito que o David Fincher não deixou nada ao acaso, sendo tudo programado ao segundo no que toca à duração das cenas quer na primeira quer na segunda parte!

Agora vamos esperar que ganhe no Domingo! ;)

SPN disse...

A única "falha" que vejo no filme é a falha do fim não bater com a lógica do início (corpo velho com idade de bébe deveria acabar ...). Gostaría de explicar melhor, mas não quero ser daqueles que desvenda os fins - LOL!!! No entanto gostei imenso do filme, mas depois de ler todos estes comentários e análises fiquei a perceber uma coisa: eu não sou de todo um cinéfilo. Explicando, vocês vêem coisas nos filmes que eu nem me lembrava de observar. Quando vejo um filme, concentro-me nele e não nos pormenores. É por isto que não poderia ser um crítico de cinema - LOL!!! Abraço a todos, porque embora não seja assim, é sempre engraçado ler este tipo de análises.

Filipe Machado disse...

Caro SPN, a tua opinião é tão válida como todas as outras. Cada um retira de um filme aquilo que lhe realmente interessa ou emociona. É por isso que o cinema é um mundo de paixões ;) Abraço!